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  <title><![CDATA[Blog em Linha Reta]]></title>
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  <updated>2012-03-07T08:26:30-03:00</updated>
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    <name><![CDATA[Kiyoshi Murata]]></name>
    
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    <title type="html"><![CDATA[Cercanias]]></title>
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    <updated>2012-03-07T05:53:00-03:00</updated>
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    <content type="html"><![CDATA[<p><aside class="image centered">
  <a href="http://kittykebab.deviantart.com/art/Movement-37056002"><img src="http://fc02.deviantart.net/fs11/i/2006/209/e/9/Movement_by_KittyKebab.jpg" title="Movement" alt="Window to the World" /></a>
  <footer><cite>Movement</cite>, <a href="http://kittykebab.deviantart.com">KittyKebab</a></footer>
</aside></p>

<blockquote><blockquote><p>Há um prazo certo<br/>
um tempo justo<br/>
para olhar este mundo<br/>
<span class="right">— de relance.</span></p>

<p>Num abrir e fechar de olhos,<br/>
vão-se as paisagens<br/>
cercanias e miragens<br/>
<span class="right">— última chance.</span></p></blockquote>

<p><footer><cite>Cercanias</cite>, Lenilde Freitas</footer></p></blockquote>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Intervalo doloroso]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2011/05/17/intervalo-doloroso-2/"/>
    <updated>2011-05-17T14:45:34-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2011/05/17/intervalo-doloroso-2</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>Olho para dentro de mim com a nitidez de quem tem consciência de todas as
coisas e só lhe resta perguntar: &#8220;Que é que sei?&#8221;.</p>

<p>Solidão que amanhece em uma cama perfeitamente arrumada.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Sinapse]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2011/05/09/sinapse-7/"/>
    <updated>2011-05-09T08:34:59-03:00</updated>
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    <content type="html"><![CDATA[<p>Todas as saídas são de emergência.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Domingo de chuva]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2011/03/30/domingo-de-chuva/"/>
    <updated>2011-03-30T23:27:49-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2011/03/30/domingo-de-chuva</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>É domingo de chuva.</p>

<p>Ouve-se o barulho arrastado e grudento
dos pneus dos carros na rua.</p>

<p>Não sei quem são.</p>

<p>Nesse domingo de chuva,
que leva com ele o tempo por onde passou,
levam os carros consigo
um pouco do caminho por onde vão?</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Sinapse]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2011/03/01/sinapse-6/"/>
    <updated>2011-03-01T11:22:05-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2011/03/01/sinapse-6</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>Em vários momentos vivenciei o que acabei chamando de &#8220;epifania reversa&#8221;, que é quando posso sentir tudo ao redor, cada objeto no ambiente, cada som flutuando no ar, cada palavra dita ou símbolo escrito e nada fazer o menor sentido.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[À poesia escrita por mulheres]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/12/24/a-poesia-escrita-por-mulheres/"/>
    <updated>2010-12-24T02:38:29-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/12/24/a-poesia-escrita-por-mulheres</id>
    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>Tua delicadeza feita de garras<br/>
serve suaves lianas que envolvem<br/>
o corpo, o pensamento e seus sepulcros<br/>
num abraço de cisne e de serpente.</p>

<p>Consideras com cuidado a carne: é tenra,<br/>
pensas, é tenra, dizes delicada<br/>
e acrescentas que tem a soberbia dos deuses<br/>
e veste a inocência da lã;</p>

<p>é tenra, dizes, enquanto as mãos<br/>
passeias de enfermeira pela pele<br/>
e os dentes entremostras, aguçados,<br/>
naquilo que entenderei como um sorriso</p>

<p>— desses que são a última lembrança antes do sono,<br/>
o primeiro calor após se ajeitarem as cobertas,<br/>
a mão deslizada pela testa<br/>
antes de me cravares a dor aguda e luminosa da morte.</p>

<p><footer>
Jorge Wanderley em <cite>À Poesia Escrita Por Mulheres</cite>
</footer></p></blockquote>
]]></content>
  </entry>
  
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    <title type="html"><![CDATA[Desencontro]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/12/20/desencontro/"/>
    <updated>2010-12-20T11:04:04-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/12/20/desencontro</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>Passar por uma casa onde se ouve tocar uma música bonita e triste, olhar para
dentro e não encontrar ninguém.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Tudo que possuo é a madrugada]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/12/12/madrugada/"/>
    <updated>2010-12-12T00:21:42-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/12/12/madrugada</id>
    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>O tempo<br/>
tem<br/>
dono.</p>

<p>O tempo<br/>
tem<br/>
sono.</p>

<p>O tempo<br/>
faz<br/>
temporal</p>

<p>Na madrugada.</p>

<p>E a hora<br/>
já passada,<br/>
de tanto<br/>
passar<br/>
passou<br/>
da medida.</p>

<p>O tempo<br/>
não tem<br/>
saída.</p>

<p><footer>Ana Peluso em <cite>Tempo</cite></footer></p></blockquote>

<p>O tempo adormece na madrugada.<br/>
Não sei se é a madrugada lá fora ou a que carrego dentro de mim.<br/>
Não as vejo e as sinto do mesmo jeito.<br/>
Não sei se é mesmo que doem ou se é o constante ruído da civilização,<br/>
Que em mim não sou eu e fora só faz lembrar-me disso.<br/>
Tampouco creio que a noite seja tua ausência em mim,<br/>
Pois nem ao menos sei quem és.</p>

<p>(Talvez porque tivesse entendido o contrário<br/>
E afinal tu sejas apenas escuridão, negações e incertezas.<br/>
Confundo o vento que sopra com tua voz<br/>
Mas nele só ouço meu desejo de ouvir.)</p>

<p>Pouco diferem as estrelas lá fora das que tenho comigo &#8212;<br/>
No céu brilham infinitas e inalcançáveis,<br/>
Em mim infinitas estendo-as a ti.</p>

<p>Tudo que possuo é a madrugada.</p>

<p>Não sei se é a madrugada lá fora ou a que carrego dentro de mim.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Fim de noite]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/10/26/fim-de-noite/"/>
    <updated>2010-10-26T02:43:30-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/10/26/fim-de-noite</id>
    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>A praça da Figueira de manhã,  <br/>
Quando o dia é de sol (como acontece  <br/>
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,  <br/>
Embora seja uma memória vã.</p>

<p>Há tanta coisa mais interessante  <br/>
Que aquele lugar lógico e plebeu,  <br/>
Mas amo aquilo, mesmo aqui &#8230; Sei eu  <br/>
Por que o amo?  Não importa.  Adiante &#8230;</p>

<p>Isto de sensações só vale a pena  <br/>
Se a gente se não põe a olhar para elas.    <br/>
Nenhuma delas em mim serena&#8230;</p>

<p>De resto, nada em mim é certo e está  <br/>
De acordo comigo próprio.  As horas belas  <br/>
São as dos outros ou as que não há.</p>

<p><footer>Álvaro de Campos</footer></p></blockquote>

<p>e essa tristeza das coisas que vão sendo deixadas para depois<br/>
vão sendo arrastadas até que se desgastam o suficiente pra serem insignificantes<br/>
eram importantes antes?<br/>
o garçon recolhe todos os copos na velocidade com que me esqueço que estava pensando nas coisas que deixei pra pensar depois<br/>
era hora de arriscar pra não se arrepender de não ter tentado?<br/>
e recalcular tudo pra que sirva de pretexto pra adiar novamente<br/>
e deixar de tentar, não é assumir um risco também?<br/>
um telefone toca mas é no filme desinteressante que passa na tv<br/>
sou como o filme, e não tenho história pra contar</p>
]]></content>
  </entry>
  
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    <title type="html"><![CDATA[Impossível]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/10/04/impossivel/"/>
    <updated>2010-10-04T05:45:16-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/10/04/impossivel</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>queria te escrever alguma coisa, mas é impossível.<br/>
todos esses rios sôfregos que partem de mim secam logo ali na frente.<br/>
e todos os ecos de intenções mudas que sopram nesses vales com rios mortos não chegam aos seus ouvidos<br/>
porque você não existe e existe pra mim e é uma mistura de tantas coisas que perdi.<br/>
nau imaginária que navegou horizontes de possibilidades, imaginações de pequeno príncipe.<br/>
queria conversar com você, mas é impossível.</p>
]]></content>
  </entry>
  
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    <title type="html"><![CDATA[Ultimatum]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/06/23/ultimatum/"/>
    <updated>2010-06-23T19:45:14-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/06/23/ultimatum</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>Me dou bem apenas com as coisas que não existem.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Sinapse]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/06/01/sinapse-5/"/>
    <updated>2010-06-01T03:39:59-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/06/01/sinapse-5</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>O erro está tão arraigado na essência do ser humano que num mundo ideal o ato de errar não estaria abolido, mas sim o ato de lidar com o erro alheio.</p>
]]></content>
  </entry>
  
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    <title type="html"><![CDATA[Janelas]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/04/09/janelas/"/>
    <updated>2010-04-09T12:23:41-03:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/04/09/janelas</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p><aside class="image centered">
  <a href="http://bigcbigc.deviantart.com/art/Window-to-the-World-42877572"><img src="http://fc03.deviantart.net/fs12/i/2006/315/7/d/Window_to_the_World_by_bigcbigc.jpg" title="Window to the World" alt="Window to the World" /></a>
  <footer><cite>Window to the World</cite> por bigcbigc</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Janelas do meu quarto,<br/>
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é<br/>
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),<br/>
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,<br/>
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,<br/>
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,<br/>
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,<br/>
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,<br/>
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.</p></blockquote>

<p>Quando eu era criança a gente morava em prédio, no sétimo andar, e na área de
serviço tinha dessas janelas grandes de correr, que eram quase na altura dos
meus olhos e pra eu olhar lá pra baixo, para os carros e pessoas passando
&#8212; a janela dava para uma avenida à direita; à frente, distante, ficava o
mar escondido atrás de outros prédios &#8212; eu tinha que ficar na ponta dos
pés e conseguia ficar assim por um breve intervalo. O pouco que conseguia ver
de lá, em geral era dia de garoa, sempre garoava, sempre me deixava uma
curiosidade meio triste (e isso sou eu hoje lembrando disso naquele tempo,
crianças alguma vez são tristes?) sobre pra onde os carros estavam indo, o que
que as pessoas de guarda-chuva estavam fazendo, o que que é que existia além do
que eu podia ver, o que as pessoas nos outros prédios estariam fazendo &#8230;</p>

<hr />

<p><aside class="image centered">
  <a href="http://photore.deviantart.com/art/The-Wall-The-Window-and-a-Man-49837363"><img src="http://fc09.deviantart.net/fs13/f/2007/059/e/6/The_Wall_The_Window_and_a_Man_by_Photore.jpg" title="The Wall The Window and a Man" alt="The Wall The Window and a Man" /></a>
  <footer><cite>The Wall The Window and a Man</cite> por photore</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Falhei em tudo.<br/>
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.<br/>
A aprendizagem que me deram,<br/>
Desci dela pela janela das traseiras da casa.<br/>
Fui até ao campo com grandes propósitos.<br/>
Mas lá encontrei só ervas e árvores,<br/>
E quando havia gente era igual à outra.<br/>
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?</p></blockquote>

<p>Até hoje carrego essa curiosidade triste.<br/>
Triste enquanto impossível.<br/>
Fatalmente agravada por filmes e propagandas &#8212; de cartão de crédito,
refrigerante, carro ou telefone celular.<br/>
Todo mundo tem sempre um jeito de dizer que o mundo é muito grande, há sempre
algo acontecendo, o único momento é agora.<br/>
E eu estou perdendo o meu pra sempre.</p>

<hr />

<p><aside class="image centered">
  <a href="http://www.flickr.com/photos/chrisjongkind/2113556921/"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2375/2113556921_859f731526.jpg" title="Tokyo 654" alt="Tokyo 654" /></a>
  <footer><cite>Tokyo 654</cite> por tokyoform</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.<br/>
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,<br/>
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,<br/>
Vejo os cães que também existem,<br/>
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,<br/>
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.</p></blockquote>

<p>Quem quer saber onde é que há gente no mundo?<br/>
Eu? Que vil e errôneo alimentei essa fantasia consumindo o desconhecido?<br/>
Tudo isto é estrangeiro, como tudo, inclusive eu mesmo em mim?<br/>
Vou à janela com uma nitidez absoluta e, mesmo que na ponta dos pés, não
enxergo nada.</p>

<hr />

<p><aside class="image centered">
  <a href="http://www.flickr.com/photos/ekster/227300341/"><img src="http://farm1.static.flickr.com/90/227300341_41ef559c61.jpg" title="He Wonders" alt="He Wonders" /></a>
  <footer><cite>He Wonders</cite> por ekster</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.<br/>
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).<br/>
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.<br/>
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)<br/>
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.<br/>
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo<br/>
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.</p>

<p><footer>
[Trechos de] <cite>A Tabacaria</cite>, de Fernando Pessoa
</footer></p></blockquote>

<p>O menino admira.<br/>
E o adulto acena e sorri descrente.</p>
]]></content>
  </entry>
  
  <entry>
    <title type="html"><![CDATA[Idílio]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/02/19/idilio/"/>
    <updated>2010-02-19T11:45:08-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/02/19/idilio</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p><aside class="image centered">
  <img src="http://web.mit.edu/deansgallery/Gregg/images/lonetree.gif" title="Lone Tree &amp; Rocks, Bassae, Greece" alt="Lone Tree &amp; Rocks" />
  <footer><cite>Lone Tree &amp; Rocks, Bassae, Greece</cite> por Sally Gregg</footer>
</aside></p>

<hr />

<p>Hoje sinto a solidão como se fosse<br/>
uma árvore solitária no pasto<br/>
cujas folhas mais baixas foram comidas pelo gado,<br/>
podada em linha reta.</p>

<p>Aparada dessa maneira peculiar<br/>
sem aparente razão<br/>
a árvore apenas permanece curiosamente<br/>
posta sozinha naquele lugar<br/>
sem aparente objetivo.</p>

<p>Já o gado, que nunca vejo quando olho para a árvore<br/>
&#8212; e portanto para mim invisível &#8212;,<br/>
age inconsciente e talvez a única coisa que sinta<br/>
ao não poder alcançar além e comer todas as folhas<br/>
seja apenas a vontade de achar outra árvore.</p>
]]></content>
  </entry>
  
  <entry>
    <title type="html"><![CDATA[Sinapse]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/01/23/sinapse-4/"/>
    <updated>2010-01-23T07:07:10-02:00</updated>
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    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>Do lado de fora da barraquinha de refrigerantes, o sol brilhava sobre uma
multidão alegre. Brilhava sobre chapéus brancos e rostos rosados. Brilhava
sobre picolés, derretendo-os. Brilhava sobre as lágrimas das criancinhas
cujos picolés derretiam e caíam sobre o chão.</p>

<p><footer>
  <cite>A Vida, o Universo e Tudo Mais</cite>, Douglas Adams
</footer></p></blockquote>

<p>É claro que achei engraçado ao ler esse trecho, e parei para pensar. Nem é
pelas criancinhas, eu não ligo. Sei também que uma forma de ser engraçado é
fazer piada de si mesmo. Mas nesse caso é a humanidade toda e como vivemos,
então criar humor a partir disso é confirmar o alvo da gracinha. É mais ou
menos assim: &#8220;olha esses humanos, que vida sem noção eles levam, quanta
limitação, falta de visão e de futuro. E pra provar sua miséria, se divertem
fazendo piadinhas de si mesmos.&#8221;</p>

<p>Depois de pensar nisso eu estou mais afeiçoado às criancinhas.</p>
]]></content>
  </entry>
  
  <entry>
    <title type="html"><![CDATA[Mind is moving]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/01/18/mind-is-moving-2/"/>
    <updated>2010-01-18T04:53:26-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/01/18/mind-is-moving-2</id>
    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>The flag is moving.<br/>
The wind is moving.<br/>
Not the wind, not the flag; mind is moving.</p>

<p>(Wind, flag, mind moves.<br/>
The same understanding.<br/>
When the mouth opens<br/>
All are wrong)</p>

<p><footer>
da coletânea de koans <cite>The Gateless Gate</cite>
</footer></p></blockquote>
]]></content>
  </entry>
  
  <entry>
    <title type="html"><![CDATA[Olha]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/01/07/olha/"/>
    <updated>2010-01-07T19:29:29-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/01/07/olha</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p><aside class="image centered">
  <a href="http://kyendo.deviantart.com/art/As-she-puts-on-her-coat-116799555"><img src="http://th03.deviantart.net/fs43/PRE/f/2009/081/b/8/As_she_puts_on_her_coat_by_Kyendo.jpg" title="As she puts on her coat" alt="As she puts on her coat" /></a>
  <footer><cite>As she puts on her coat</cite> por Kyendo</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Olha<br/>
Será que ela é moça<br/>
Será que ela é triste<br/>
Será que é o contrário<br/>
Será que é pintura<br/>
O rosto da atriz</p>

<p>Se ela dança no sétimo céu<br/>
Se ela acredita que é outro país<br/>
E se ela só decora o seu papel<br/>
E se eu pudesse entrar na sua vida</p>

<p>Olha<br/>
Será que ela é de louça<br/>
Será que é de éter<br/>
Será que é loucura<br/>
Será que é cenário<br/>
A casa da atriz</p>

<p>Se ela mora num arranha-céu<br/>
E se as paredes são feitas de giz<br/>
E se ela chora num quarto de hotel<br/>
E se eu pudesse entrar na sua vida</p>

<p>Sim, me leva pra sempre, Beatriz<br/>
Me ensina a não andar com os pés no chão<br/>
Para sempre é sempre por um triz<br/>
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão<br/>
Diz se é perigoso a gente ser feliz</p>

<p>Olha<br/>
Será que é uma estrela<br/>
Será que é mentira<br/>
Será que é comédia<br/>
Será que é divina<br/>
A vida da atriz</p>

<p>Se ela um dia despencar do céu<br/>
E se os pagantes exigirem bis<br/>
E se o arcanjo passar o chapéu<br/>
E se eu pudesse entrar na sua vida</p>

<p><footer>
<cite>Beatriz</cite>, Chico Buarque
</footer></p></blockquote>

<p>onde é que há gente no mundo?<br/>
tanta gente<br/>
e nem ao menos sei quem és.</p>
]]></content>
  </entry>
  
  <entry>
    <title type="html"><![CDATA[Lilases]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/01/03/lilases/"/>
    <updated>2010-01-03T07:00:32-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/01/03/lilases</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p><aside class="image centered">
  <a href="http://freaky-john.deviantart.com/art/Lilac-162721464"><img src="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2010/122/9/2/L_i_l_a_c_by_Freaky_John.jpg" title="Lilac" alt="Lilac" /></a>
  <footer><cite>Lilac</cite> por Freaky-John</footer>
</aside></p>

<blockquote><p>Apagar-me<br/>
diluir-me<br/>
desmanchar-me<br/>
até que depois<br/>
de mim<br/>
de nós<br/>
de tudo<br/>
não reste mais<br/>
que o charme.</p>

<p><footer>Paulo Leminski</footer></p></blockquote>

<p>Você que caminha do outro lado da rua<br/>
e me olha com esses olhos irresistíveis.<br/>
Me olha e logo desvia o olhar para fixá-lo novamente sobre a linha reta que percorre<br/>
do outro lado da rua.</p>

<p>O outro lado da rua é calçada inflexível<br/>
de natureza sólida.<br/>
Você se agarra a esta com seu caminhar atordoado<br/>
desviando das pessoas que vêm de encontro<br/>
se protegendo de postes, buracos e árvores que passam por ti a toda velocidade.<br/>
Cada preocupação te rouba um pedaço de tua atenção<br/>
como se te roubasse um pouco da vida &#8212;<br/>
e afinal é isso mesmo o que acontece.</p>

<p>Finges admirar a beleza e o perfume dos lilases na jardineira da janela daquela velha casa<br/>
aquela mesma velha casa que tens olhado toda vez que passamos por esse trecho da rua.<br/>
Deles roubas a inspiração para palavras com que cumprimentas tristemente<br/>
um conhecido que detestas<br/>
que passa<br/>
do outro lado da rua<br/>
e eu acho que é comigo. Quando ameaço um sorriso&#8230;<br/>
Postes, lilases, árvores, janelas velhas, buracos.</p>

<p>Mas teu olhar fugitivo te denuncia:<br/>
quando atravessa a rua de volta para tua realidade<br/>
que finge doer,<br/>
percebo que percebes do que é feito<br/>
o chão desse lado de cá da rua;<br/>
tomas a consciência de que ele existe e é de terra.</p>

<p>Eu sei porque não atravessas esta rua e está sempre andando aí<br/>
do outro lado.<br/>
Porque do lado de cá exalam seus perfumes<br/>
as orquídeas que afloram desse chão.</p>

<p>Tu que não ousas confessar um sorriso teu<br/>
mas os praticas, como qualquer um no mundo<br/>
e o fazes tão doce, como ninguém mais.</p>

<p>Tu que condenas os sorrisos em teus discursos<br/>
e os clamas pecados,<br/>
tu declaras essa castidade um dogma<br/>
para preservar o perfume dos lilases.</p>

<p>Mas tu pecas!<br/>
E a beleza com que tu pecas<br/>
já há muito queima pecadores<br/>
e nutre solos inexistentes<br/>
como este entre aqui e o outro lado da rua.</p>

<p>Cá eu e as orquídeas, sem religião,<br/>
vestimos nosso melhor sorriso e<br/>
nos perfumamos vulgarmente para te ver sorrir.<br/>
Sentados no meio-fio esperamos.<br/>
Não sabíamos que era pecado.<br/>
Não sabíamos que por isso seríamos queimados.</p>
]]></content>
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    <title type="html"><![CDATA[Mais um]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2010/01/02/mais-um/"/>
    <updated>2010-01-02T05:38:02-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2010/01/02/mais-um</id>
    <content type="html"><![CDATA[<blockquote><p>Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;<br/>
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã&#8230;</p>

<p><footer>
[Trecho de] <cite>Amanhã</cite>, Fernando Pessoa
</footer></p></blockquote>
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    <title type="html"><![CDATA[Sinapse]]></title>
    <link href="http://linhareta.net/2009/12/24/sinapse-3/"/>
    <updated>2009-12-24T06:20:12-02:00</updated>
    <id>http://linhareta.net/2009/12/24/sinapse-3</id>
    <content type="html"><![CDATA[<p>Tanta gente no mundo e não sou um deles.</p>

<p>Não digo em tom de superioridade. Pelo contrário, o mundo é muito para mim.</p>

<p>Melhor eu estaria em uma das luas de Saturno, incógnito para elas e todas elas,
pedaços de gelo flutuando por entre anéis também de gelo, sem ter quem lhes dê
novos nomes (pois provavelmente já têm, mas não os sei).</p>

<p>Assistir a toda essa inércia, observar estrelas inertes e nem sequer ter um
pedaço de papel para escrever essas palavras lá.</p>
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